segunda-feira, setembro 22, 2008

Em que a vida nos transforma

Fazemos coisas sempre achando que estamos fazendo o melhor a nós mesmos. Às vezes, sabemos que é perigoso, mas seguimos porque acreditamos que o momento é o importante. Momentos não são importantes, mas as consequências, puta que pariu, estas marcam para valer! E de repente você se olha no espelho e vê uma pessoa que não reconhece. É uma pessoa que simplesmente sente e pensa em coisas que lhes eram totalmente alheias até aquele momento. Como diria la mamá de Pedro Pablo Oliva "hijo, la vida nos convierte, a veces, en lo que realmente no somos".

texto da amiga virtural Luciana -palavras que confortam e me trazem de volta...

Aliviando a consciência pesada

EM VEZ DE PASSAR A VIDA SE CHICOTEANDO, QUE TAL SUBSTITUIR A CULPA, ESSE SENTIMENTO TÃO DOLOROSO E DESTRUTIVO, POR UMA PALAVRINHA: COMPREENSÃO?

Revista Vida Simples/ texto Mariana Sgarioni

Até que se prove o contrário, ainda não inventaram uma maquininha que nos faça voltar no tempo e agir de maneira diferente para remediar determinada situação. Somente no cinema isso é possível. Deve ser por isto o tamanho sucesso (já há duas décadas) do filme De Volta para o Futuro: a vontade que muitas vezes sentimos de regressar e fazer tudo de outro jeito. Para aliviar a culpa que nos atormenta. E se naquele dia eu tivesse agido diferente? E se tivesse ido por outro caminho, se dissesse aquela palavra que tanto queria dizer, ou se não tivesse sido teimoso? Ninguém tem bola de cristal para saber o que aconteceria, e o que está feito, está feito. Mas quando essa série de perguntas aparece, a impressão que dá é que a culpa é a mãe das frases no condicional que nos causam mais angústia. Repare. Sem culpa, este tempo verbal não teria a menor graça.

A verdade é que revolver o passado é uma de nossas (vãs) artimanhas para tentarmos nos livrar deste fardo que carregamos nas costas: a culpa. Ela nos faz perder o sono, traz dor no peito, nó na garganta. Martela dia e noite em nossa cabeça. Graças a seu poder devastador, costuma ser utilizada freqüentemente e com sucesso como o principal instrumento de quem gosta de fazer chantagem emocional. É amiga e vizinha de outra tinhosa, a vergonha. A culpa se senta como um urubu nos ombros de todos nós, diz o psicólogo James Hollis, diretor do Centro de Estudos Jung de Houston, nos Estados Unidos. Todos nós? Sim, todos. Ninguém está livre de sentir culpa ela é inerente a nossa vida.É lógico que há quem se sinta mais ou menos culpado. E também há jeitos e jeitos de lidar com esse sentimento. Se não podemos viver sem culpa, também não precisamos fazer com que ela seja corrosiva muito menos que sirva de álibi para remexermos aquilo que já foi feito. O pulo do gato é que a culpa pode, sim, ser um poderoso instrumento de transformação e conhecimento, e até mesmo se converter em um substantivo bastante construtivo: a responsabilidade, por exemplo.

A culpa é de quem?
Antes de insultar a culpa, seria melhor apresentá-la a você. Quem seria o culpado por ela, afinal? De onde vem essa sensação que tanto nos apoquenta?
A culpa é um sentimento que parte de alguém que transgrediu (ou acha que transgrediu) alguma norma, seja ela social, seja legal, moral, ética ou religiosa. É a violação de alguma regra que pode ou não ter causado dano a alguém. Mas por que diabos todo mundo tem essa sensação?

Segundo Sigmund Freud, a culpa aparece logo nos primeiros anos de vida, quando a criança começa a perceber que a mãe não é inteira de sua propriedade. A criança vai sentindo, aos poucos, a perda das atenções da mãe, sua principal fonte de afeto, com a entrada de um terceiro elemento na história: o pai. Essa perda vem carregada de um sentimento de raiva pelo próprio pai. E raiva traz culpa. Em linhas gerais, esse é um breve resumo do famoso complexo de Édipo, que é a base da formação da personalidade de todos nós. Ao sentirmos culpa, freamos instintos que podem ser agressivos. Por isso, para a psicanálise, a culpa é o resultado do advento da própria civilização, que procurava limitar seus impulsos. Nascemos com um programa inviável, que é atender aos nossos instintos, mas o mundo não permite, dizia Freud.

Somente por sentirmos culpa é que aceitamos as regras impostas pela cultura. A culpa acaba estabelecendo limites e possibilita o convívio. E regras existem em todas as sociedades, desde que o mundo é mundo concordemos ou não com elas. Na Idade do Gelo, por exemplo, no início do processo de humanização, nossos antepassados já criavam regras de convivência, como a proibição do incesto, por exemplo. Essa condenação só seguiu adiante e se tornou a principal característica da nossa formação cultural por haver o sentimento de culpa presente. Nós introjetamos valores da cultura em que estamos inseridos. Cada vez que saímos desses registros, aparece a culpa, afirma a psicóloga Mirian Chnaiderman. Então parece que a culpa nem é tão vilã assim como se imagina. Em princípio, não mesmo. O problema é quando ela se desenrola.

Isso porque o sentimento de culpa vai além da transgressão. Ele é também, no fundo, um desejo de perfeição. Cada dia mais, precisamos fazer escolhas e admitir que podemos ter errado em uma dessas escolhas pode ser muito doloroso. Optar entre ir por este ou aquele caminho realmente angustia. Contudo, pode ser uma excelente oportunidade para o exercício do autoperdão, aquele que nos força a um entendimento, à compreensão de nós mesmos. Se tomamos uma atitude, foi porque acreditamos que era o melhor a ser feito naquele momento. Agimos de acordo com os instrumentos que tínhamos para agir. A dificuldade se autoperdoar faz com que uma das culpas mais freqüentes seja o ressentimento por coisas que não foram realizadas na hora certa e no momento exato. A dor do filho que não demonstrou amor pelos pais antes de morrerem; a mãe que decidiu deixar de passar mais tempo com as crianças para aceitar um novo cargo no trabalho; o jovem que gastou toda sua mesada em jogos de videogame em vez de comprar livros. Essas são culpas modernas, culpas recorrentes nos dias de hoje.

O que leva a crer que, quanto mais complexa fica nossa sociedade, mais culpados nós ficamos. Até o século 19, por exemplo, a culpa estava ligada diretamente ao pecado e ao temor a Deus. Não que isso fosse fácil, mas era possível, ao menor sinal de falha, se confessar ao padre ou rezar. Com as revoluções de valores e de comportamento do século 20, a coisa mudou de figura. O homem contemporâneo se tornou e continua se tornando cada vez mais livre para fazer o que bem entende. Isso aumentou significativamente suas possibilidades de escolha e, claro, de culpa.O sentimento de culpa pode ser, no fundo, um desejo (demasiado humano) de perfeição

Doentes de culpa
A culpa não é, em si, necessariamente, uma doença, mas pode desencadear algumas enfermidades, sim. Há pessoas que tendem a se sentir culpadas o tempo todo. Alguém que experimenta culpa exacerbada pode fazer com que ela vire uma neurose. Normalmente, é o tipo que se sente inseguro, tem dificuldade de tomar iniciativas até por medo de errar. Nunca aceita elogios, não consegue ser homenageado, aquele que ninguém consegue encontrar um presente para dar no dia do aniversário. Não tira férias, trabalha demais, está sempre angustiado. Tem baixa auto-estima, nunca acredita em si mesmo. Como é de se esperar, a vida sexual de um culpado é obviamente difícil. Em casos extremos, um atormentado pela culpa isolase dos amigos e da família e, no limite, pode tentar até o suicídio.

Com tudo isso, não é de estranhar que possam aparecer somatizações. A depressão é a doença mais comum dos culpados crônicos. O remorso também pode, em alguns extremos, levar ao alcoolismo e ao consumo de drogas. E, para tratar tais sintomas, é preciso chegar à fonte do problema, ou seja, à culpa. A terapia deve ser profunda, chegar até onde mora o sentimento, uma vez que culpa não é uma emoção passageira. Qual a diferença entre uma coisa e outra? A emoção é algo mais primitivo, surge mais espontaneamente no ser humano. Mas costuma ser transitória, passa logo. Arroubos de paixão podem ser um bom exemplo de emoção. Sem contar que a emoção é uma sensação visível: alguém apaixonado fica ruborizado ao ver o objeto de sua paixão. Já o sentimento é outra história. Ele é pautado pela cultura, pelo modo de vida e pelo aprendizado social. Aprendemos a ter sentimentos no decorrer da vida com pais, professores, amigos, líderes espirituais. Assim, vamos aprendendo a sentir culpa, cada vez mais e mais. Por isso ela acaba se enraizando.

Muito bem: a culpa pode ser venenosa quando excessiva e causar até doenças. Mas também ela precisa existir, pelo menos um pouquinho.

Na dose certa, ela demarca os limites do que podemos ou não fazer, dos nossos valores, daquilo que consideramos ético e justo. Apenas pessoas com distúrbios de caráter são capazes de infringir regras sem sentir o mínimo arrependimento. Não há consenso entre os médicos sobre as razões dessa ausência de um sentimento tão essencial. Especula-se sobre falha genética, bioquímica e até sobre traumas sofridos na infância. Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que 1% da população mundial é portadora do distúrbio. Ou seja, uma em cada 100 pessoas é capaz de causar o mal sem ter um pingo de remorso. No mundo de hoje, a culpa ganha contornos terríveis por um lado e invisíveis, por outro, diz Mirian Chnaiderman. Vivemos uma crise de valores, falta-nos uma mediação para lidar com isso. Essa mediação talvez seja um pouco de culpa. Mas, segundo Mirian, não deve ser no formato de culpa como conhecemos. A culpa deve ser transformada em percepção do outro, em formas de enxergar melhor o outro. Assim, ela vira um sentimento positivo, afirma.

Realmente, de nada adianta sentir culpa, ao infringir uma norma, e ficar com ela ali, guardada dentro do peito. Quando a culpa aparece, a primeira pergunta a se fazer é sobre a voluntariedade de seu ato. Será mesmo que você teve a intenção de criar um problema para o outro? Provavelmente não. Mas isso não o exime da responsabilidade sobre o que ocorreu. Mas repare que responsabilidade é bem diferente de culpa. A melhor maneira de você se aliviar da culpa é aceitar a crítica por suas ações, desculpar-se e reparar o dano causado, escreveu o psiquiatra americano David Viscot. Quem assume uma responsabilidade está tirando a culpa da sombra, está jogando esse sentimento para fora. É um primeiro passo para o entendimento do que aconteceu e por que aconteceu, para sua compreensão. Somos os únicos seres no universo e isso já foi provado cientificamente capazes de sentir culpa. Como anota o médico e escritor Moacyr Scliar no livro Enigmas da Culpa: Mas também somos os únicos seres capazes de iluminar nossa culpa. E culpa iluminada é culpa domada. Iluminado, o dedo acusador da culpa deixa de ser um algoz para ser simplesmente um dedo, parte do nosso corpo, parte da mão que nos fez humanos.

É sempre bom se perguntar sobre a real natureza de nossos atos no dia-a-dia

Sem culpa nenhuma
Algumas idéias para você pensar sempre que se sentir culpado Não negue a culpa. Admita que errou, jogue luz sobre o problema. Exercite o auto-perdão. Antes de perdoar alguém, desculpe você mesmo. Não projete a culpa nos outros. Não deixe que ninguém (nem mesmo a família!) manipule sua culpa. Pergunte-se sobre sua intenção ao cometer o ato. Peça desculpas e procure reparar seu dano. Lembre-se de que responsabilidade é diferente da culpa. Assuma sua responsabilidade sem se culpar por isso. Aprenda com o que aconteceu. Identifique o erro e procure evitá-lo numa próxima vez. Não fique remexendo o passado e querendo voltar àquilo que já foi feito.

Boa reflexão...

terça-feira, setembro 16, 2008

Desencanto

Vão se os insultos, vão se os problemas e fica a oportunidade de retomada.
Embora os momentos e as situações se mostrem difíceis, percebo que muitas pessoas com quem convivo ainda são estranhas, tanto elas para mim, quanto eu para elas.
Acredito que tudo depende da disponibilidade de cada um. Que as diferenças contribuem para uma percepção maior das coisas, de um momento para canalizar coisas boas para um novo recomeço.
O que quero neste momento, é respeito, meu canto vazio, para um momento de silêncio...de desencanto.

sábado, setembro 13, 2008

Enquete:

Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...

Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...

Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...

Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...
Revolução silenciosa...



Você sabe o que é?



terça-feira, setembro 09, 2008

Por que foi
Eva
quem deu
a maçã
para o panaca
do ADÃO comer,
porra!

sábado, setembro 06, 2008

Atores são descartáveis

Ah, o ator...

O ator é alguém capaz de se doar e serviço de um outro eu, capaz de modificar suas feições em busca de uma outra imagem, é capaz de transmutar seus sentimentos e sensações em busca de um diálogo com si mesmo e com público...

Ah, o ator...
O ator?
É um ser descartável!

O grupo perdeu um nome importante em sua ficha técnica, eu perdi uma companheira de trabalho. Ela não era perfeita, mas e daí? Quem naquele grupo é?
E ainda com as frases ressoando em meu ouvido:
- Se quiser ir embora pode ir viu! Vai embora!

Percebo que de todos apontamentos feitos pela direção, cada ator assim como ela, também cometeu sua parcela de erros, ou por inconseqüência, ou por falta de maturidade... afinal, muitos ali estão apenas começando a vida. Era apenas uma questão de se colocar em frente ao espelho.
É humano falar demais quando se está chateado, é humano querer ver só o nosso lado, é humano não se sentir acolhido por uma postura que mau interpretada.

Não precisava ter sido como foi para chegarmos a lugar nenhum.

Relacionamento de grupo ora vai bem, ora vai mal, mas acho que se soubermos como levar, o máximo que pode acontecer são arranhões e machucados que o tempo apaga e cicatriza.
Pois é, se soubermos levar...
Há horas que o silêncio é totalmente bem-vindo e o que era indizível é e pode ser dito com um abraço que traduza: “Você assim como nós errou, mas queremos você conosco para trilhar nosso caminho”.


Merda!

sexta-feira, setembro 05, 2008

fofoca
e na fofoca
a verdade
aflora
mascarasobvias.blogspot.com

quarta-feira, setembro 03, 2008

Quero minha inocência de volta

Ultimamente ando estressado com tudo, parece que a utopia da juventude acabou e as coisas se transmutaram para uma dura e seca realidade.
As vezes as coisas tem um cheiro e um gosto amargo...É mais um ciclo se encerrando, para início da fase adulta, fui precoce em muitas coisas, como administrar uma casa e o início de uma carreira que não fiz.

Quando se é utópico demais, você é capaz de jogar tudo isso para o alto, mandar tudo as favas e recomeçar de uma maneira diferente. De certa forma eu fiz e refiz isso muitas vezes e digo que foi necessário, só não sei se hoje faria da mesma forma.
Me sinto mais centrado e arriscando menos, vejo tudo de uma outra forma, as vezes sem o mesmo brilho e vigor.
Mas e minha utopia?
Definitivamente...preciso resgatá-la.

Medíocre

Aurélio diz: que não é bom nem mau; sem relevo; vulgar. [Sin.ger.: mediano]


Mesmo você convivendo com alguém por um longo tempo, tenho convicção de que não se conhece totalmente uma pessoa, qual sua ideologia ou seus verdadeiros valores éticos e morais.
Neste sábado dia 30 de agosto, a Cia de teatro da qual faço parte, com muito mérito conquistou seis prêmios num festival de teatro estudantil.
Vibramos muito, da minha parte só não pude comemar mais pelas agruras e surpresas que nos puxam de volta para a realidade...
Alguns dias antes da cerimônia de premiação, um dos atores do meu grupo, afirmou que eu e minha amiga Márcia, iríamos ganhar os prêmios de melhor ator e atriz.
Embora tenha estranhado a “torcida inesperada”, até por que este ator também competia comigo sendo um dos favoritos ao prêmio, resolvi relevar.
Quem nunca falou besteira na vida em hora imprópria?
Meu grupo havia se apresentado com a comédia “Sacra Folia”, no dia 23 e somente uns três dias depois que tive acesso a critica do festival, só daí pude deduzir o motivo do comentário sem fundamento.
Os jurados haviam citado Eu, Márcia e esta 3ª pessoa, destacando nossas atuações. Mesmo assim achei precipitado o tal nos dizer que iríamos ganhar algo, ainda era cedo demais.

É chegado o dia da premiação, eu, assim como todos os outros atores do meu grupo estava ansioso, inquieto e na torcida pelo reconhecimento do meu trabalho e pelo trabalho do grupo, afinal suamos muito a camisa.
Eis que vem o tal já um pouco bêbado, prostrou-se em nossa frente e nos disse.
- Vamos fazer um acordo? (Eu e Márcia apenas ouvíamos sem entender, e ele continuou).
- Você Ricardo ganha o prêmio de melhor ator, Márcia de melhor atriz e eu pego o premio de melhor maquiagem para minha tia, vou representá-la. (saiu cambaleando em direção a sua poltrona e sentou-se).

Pensei: Para que essa atitude conosco? Para que tomar um porre numa cerimônia tão importante? Seria insegurança de ter que ouvir outro nome senão o dele na premiação?
Foi um momento digno de mandar o cara a merda, porém se ele já estava inseguro e bêbado eu só iria piorar tudo, resolvi ficar quieto, fazer a famosa cara de paisagem. Somos um grupo. Pra que enganar a si próprio vindo me falar uma besteira daquelas sem motivo?

Veio o melhor da noite, os anúncios dos indicados para as premiações, antes de mim eu torcia muito pela Márcia, porém, pela hierarquia do texto, nós deduzimos que ela poderia ser indicada ao prêmio de atriz revelação ou coadjuvante. Mas aconteceu o inverso; Outra atriz do meu grupo, considerada a favorita pela ótima técnica vocal, desceu um degrau e levou o premio de atriz coadjuvante.
Confesso que surpreendeu nós todos, inclusive nosso amigo que estava de pileque, mas aguardava o termino do evento.

A premiação continuou e embora Márcia não acreditasse que poderia conquistar o premio de melhor atriz, eu estava ao seu lado segurando sua mão e pedindo para ela acreditar.
Anunciaram as indicadas, entre a favorita da noite o nome da Márcia foi também citado. Nesse instante eu lembro que Márcia esmoreceu, baixou a cabeça enquanto abriam o envelope.
- E a melhor atriz é...
Antes que falassem eu apertei a mão dela. e disse baixo.
- Márcia, acredita, acredita...
Silêncio...
- Márcia Gomes de Lima!!
Quando anunciaram seu nome nós gritamos muito, foi um grito abafado por anos levando porrada, sendo criticada por pessoas que preferiam derruba - lá por seu gênio muitas vezes forte... foi merecido para nós dois.

É a vez do melhor ator, anunciam quatros nomes, entre eles estava o meu; E como já esperávamos, o outro ator também concorria. Não deu outra, ele quem levou o prêmio, certamente não esperava, estava com muito medo e a confiança só voltou a imperar quando anunciaram seu nome.
Feito as honras da casa, a pose para foto, etc...etc...Ele não fez nenhum agradecimento, não estava em condições, foi realmente uma pena.

Senti que no meu caso não foi dessa vez, mas fiquei satisfeito pelo grupo, pelo reconhecimento do trabalho como um todo.
O que me entristeceu realmente, foi a postura desta pessoa para comigo e com a Márcia, ele não precisava ter agido como agiu...
Sinto que ainda causo medo em algumas pessoas do meu grupo. Pra mim é frustrante, pois sempre tive o sonho de construir e ser parte de um grupo teatral cúmplice e parceiro no trabalho, não sonhava em representar uma ameaça para essas pessoas, tampouco me mostrar um adversário para meus parceiros.

Num misto de tudo, tive muita pena do meu companheiro de cena, um cara que se mostra promissor, pois ele tem estrela própria. Me chateei pelo fato dele ter precisado se embebedar para encarar uma situação que na cabeça dele não era favorável ao seu ego, por nos dizer algo totalmente precitado... Bebeu para ter coragem de olhar nos meus olhos caso o premiado fosse eu.

A noite terminou com o pessoal indo comemorar em casa, menos a Márcia por que tinha apresentação e queira poupar a voz.

Já passei por tanta coisa no teatro em tão pouco tempo, processos doloridos com perdas e ganhos, levando porrada, digerindo criticas acidas, decepções, revoltas, lágrimas, que hoje me sinto grato por essa trajetória e um pouco mais preparado para vida.
Ser reconhecido com um premio sem dúvida é gratificante, porém o compromisso como ator continua, ser ator vai além, independe.
Isso me deu uma certa inteligência emocional para superar e tentar entender atitudes de pessoas que julgamos conhecer.

Não sou perfeito, longe disso. Mas tento me colocar no lugar, ter empatia.
Assim como eu, este cara deu seu melhor no palco e fez muito bem, espero que continue assim, ele vai longe, não precisa temer outro ator só por que uma critica não foi a seu favor, ou por que não ressaltaram sua atuação.
Somos bons atores por que estamos juntos e o espetáculo “Sacra Folia” só acontece por que cada um da o melhor de si no palco.

Tento entender por que reagimos com mediocridade quando uma situação nos amedronta. Vai saber, somos humanos, estamos sujeitos a isso. Só espero sinceramente não me contaminar, acho que por isso resolvi me esvaziar dessa baixa energia por essas linhas, é preciso expurgar e não me deixar levar...
A chateação é também por perceber que caminho ao lado de uma pessoa inexperiente com desafios que ameaçam o próprio ego, que o faz usar muletas para superar seus medos.
É preciso enxergar além, até por que depois de um tombo é só levantar e sacudir a poeira, afinal temos um longo caminho para trilhar... Porém, quem faz uso de muletas tende a ter o passo retardatário.

Merda!