quinta-feira, dezembro 30, 2010

Caos

Acordou diferente...
Organizou o quarto, o guarda-roupa, os sapatos, os documentos, as fotografias, os livros, os contatos, a estante, os troféus, os diplomas... Ofegante respirou... Organizou as panelas, os talheres, as toalhas, os recados, as cartas, as músicas, os poemas, os tapetes, as paredes, os quadros... Até que não houve mais o que organizar...Enfim chorou...


Ainda sentia tudo desorganizado dentro de si.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

José

Era manhã, José acordou, levantou e foi para o trabalho. No escritório, José foi chamado a sala de seu chefe e foi criticado, ouviu pacientemente e não contestou. Sem expressão no rosto,  José afirmou seu erro voltou para sua mesa e continuou o trabalho, o dia passou, José desligou seu computador e foi embora. Na rua, José foi abordado por um assaltante, sem expressão de medo ou terror, José ouviu pacientemente suas exigências, tirou R$ 0,15 centavos do bolso e entregou ao assaltante lhe desejando boa sorte, o assaltante sem nada entender, viu José ir embora. Era noite, na sala de aula, José executou as dinâmicas de forma errada e o professor autoritário o apontadou diante de todos os outros alunos, sem expressão, José olhou fixamente para o professor, admitiu o que este constatou e repetiu toda sequencia ordenada. De volta em casa, José tomou banho, jantou, escovou os dentes diante do espelho, notou que seus cabelos estavam brancos e não se espantou. Deitou-se  e com o cobertor José cobriu-se, mas fazia frio, muito frio e na manha seguinte, o coração de José parou...

pe...tri...fi...co...u

sábado, dezembro 25, 2010

O VôO

Algumas vezes quebram minhas pernas, chutam minha cara, pisam em meus dedos, eu sobrevivo, tenho sobrevivido,
sou marcada, sim, mas faço valer cada uma de minhas cicatrizes. ClaraAverbuck.



Balanço...Pendo para um lado, para o outro...mas, não caio.
Iniciei o ano de 2010 com uma puta expectativa, ansiando por mudanças, grandes mudanças, campo pessoal, profissional... tudo engatilhado para alçar um vôo mais ousado. E, já na beira do abismo, eu não consegui saltar, como metáfora a bola de ferro volta acorrentar meus pés.
Diante do site aberto com o resultado exposto, vi fotos nas quais não me reconheci.
Frustração...
Não passei num teste para o qual criei expectativas e junto com ele a oportunidade de mudança se foi, por um momento, desespero...Algumas vezes quebram minhas pernas...
Agenda, folhas, números, anotações... Alô?
Estou novamente em São Paulo para mais um teste, machucado de um processo seletivo que durou três dias de trabalho corporal, vocal e intelectual, eu novamente precisava me expor...
Reflexão...
Por quê? O que estou fazendo aqui? Para que provar competência para quem mal me conhece? Onde vou chegar com isso?
Explosão...
olho no olho, passos no meio do palco, voz alterada, urros, torções de braços e pernas em busca de um corpo dilatado. E por fim, dirijo-me ao coordenador do curso com a certeza de um não.
Olhos nos olhos...
Não sou daqui, mas tenho certeza que meu interesse é real...
O passar das horas... Agenda, folhas, números, anotações... Alô?
A cena transcorreu com frases curtas... e ... silêncio...
Tecla MUTE
Sorriso...
As correntes foram quebras, já era hora de voar...