terça-feira, novembro 14, 2006

Regresso no Giro 360º... 1º missão


Cenário atual:
Numa dimensão evoluída, a matéria é supérfluo diante do poder da mente. Cidadela é o lugar em que vivo, um lugar onde a raça dos humanos estancou o sofrimento, erradicou a violência, a exploração infantil, as doenças letais e a fome.
Foi-nos concedido o direito de reencarnar em tempo real, a fim de reciclar e perpetuar o crescimento continuo da evolução emocional entre a raça humana e andrógina.
Porém a invasão de detratores espalhou o vírus pela rede, o que me impede de continuar minha missão nesta dimensão do tempo.
A corrupção no mundo externo do real me fez retroceder no tempo, mais precisamente no ano de 2006, na cidade é São José dos Campos.

Instruções de bordo:
A partir deste momento me será permitido a reencarnação em vidas diversas, em que num curto espaço de tempo eu tenha a missão de montar o quebra-cabeça.
Homem, mulher, criança, jovem ou adulto, sem classe social definida, lúcido ou atormentado, o cenário me indicará a missão e a intuição abrirá portas que apontam outros caminhos...
O inimigo estará presente nas mesmas condições de minha “mutação”. Para anular sua ação, basta anular os sentidos vitais do meu corpo “atual”, iniciando assim a transferência direta de dados armazenados no meu disco rígido para o “Oráculo” de cidadela, um disco central de informações, no qual está preservado, fora da dimensão de risco do vírus enviado pelos detratores.
Dada a transferência, um novo corpo será concedido para que o processo de varredura continue na rota que leva ao mistério de Cidadela...

Boa sorte, a transferência inicia agora!......____!!!!__!!!!___!!!!___>>>>>>..........
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30 de outubro de 2006


Ao abrir os olhos o relógio marca 06:40, da manhã, o cansaço do dia anterior me faz levantar demoradamente da cama. As ações são mecânicas, troco de roupa, tomo um café preto e escovo os dentes. A pequena mala já organizada adianta meu tempo.

As instruções são passadas direto no meu subconsciente, vou para o ponto de ônibus sem rumo, acesso meu mapa de bordo. Os dados são passados durante o trajeto do ônibus, a vida que assumo é de um jovem: Ricardo Veríssimo Salem, 24 anos, solteiro, sem precedentes criminais.
Seguindo o mapa do controlador geral, entro no shopping localizado no centro de São José dos Campos, penso que Ricardo trabalha no comercio, mas surpreendo-me ao ver que o corpo que assumi dirige-se para o teatro. O transmissor aciona a área de conhecimento e passo a reconhecer as cochias e os camarins.
Ao entrar no espaço restrito aos atores, dou vários “Bons-dias”, e já inicio minha troca de roupa...Reservadamente no banheiro aciono o escaner interno para decorar o texto do personagem de Ricardo. Será um dia difícil...Pergunto-me, qual será a primeira missão?

Iniciamos o aquecimento em grupo, durante as músicas e a animação do jovem elenco do qual Ricardo faz parte, consigo discretamente identificar os personagens que contracenam com o jovem ator, do qual utilizo o corpo e seus sentidos vitais.

Terceiro sinal, às 9 horas, o espetáculo inicia com numa chegança com musicas regionais: Nos momentos que se passam involuntariamente canto, danço e observo a movimentação de pouco mais de 600 alunos, que nos assistem.
No palco as ações se desenvolvem, contraceno entre imagens e musicas que compõe samba, folias de reis e bumba meu boi ritmados nas batidas dos tambores. Encerramos a primeira sessão.
A cortina se fecha; até aquele momento nada acontecerá, nenhuma coordenada ou mensagem codificada.
Recebemos alguns alunos no palco, que nos pedem autógrafos, conversamos com professores e recebemos elogios.
Dirigo-me ao camarim para tirar a maquilagem e seguir para uma reunião com o elenco. Distraído olho para o espelho onde está o seguinte texto:

Conheço demasiadamente o círculo da terra,
O mais além é vedado ao nosso olhar;
Tolo! Quem para lá dirige os olhos ofuscados
Inventa seu duplo nos abismos do ar!”.

Ao ler essas frases, sinto como se algo ofuscasse minha vista. Caído no chão, tento me recompor para não ter que dar explicações... O texto some do espelho.
Na reunião, ouço todas criticas sem revidar.

Durante o almoço fora do teatro, alguns atores insistem em visitar a próxima escola que irá nos assistir, localizada também no centro da cidade.

Durante a conversa com alguns alunos, aproveito para me afastar do grupo e tentar contato com o Oráculo. Pressiono o pulso esquerdo, digo em voz baixa as quatro frases “descobertas”. Sem resposta da central, percebo que estou sendo observado por uma das estudantes, ela tem pele clara, olhos azuis, cabelos negros, é calada.

Dirijo-me junto do grupo, nos despedimos e retornamos ao teatro.
Sessão das 14 horas, hora de nos apresentarmos novamente, tudo corre bem. No intervalo repasso o texto do espelho na mente para tentar alguma pista.

Chegamos a sessão das 20 horas, estou atrasado, o elenco já se aquece no segundo andar do teatro. Durante a maquiagem que faço rapidamente, ouço passos, não dou importância.
Surpreendo-me com o reflexo que vejo no espelho, é uma garota de pele clara, cabelos negros e olhos azuis...

- Hei, você não pode entrar aqui, nós já vamos começar o espetáculo!
Sem qualquer tempo, ela segura meu pulso esquerdo, pressiona e diz:

- “Decida-se aqui e não se perca além”.

Desvencilhando-me corro para o segundo andar. Desço as escadas atordoado para juntar-me ao grupo, que aguarda o sinal.

- Vamos Ricardo! Já foi dado o terceiro sinal porra!
- Você nem arrumou seu figurino direito, olha esse lenço!

Sem responder, apenas afirmo tudo com a cabeça.
Hei, o que houve? Tudo bem com você. Sente-se mal...
Caralho! O que é isso no seu pulso?

Sem notar, vejo que a garota cortou minha pele pouco mais do que um arranhão superficial.

- Não foi nada, depois da apresentação vemos isso! Respondi com firmeza.
- Nada disso! Vêm vamos subir no camarim e por uma atadura nisso, leva só um minuto!
- Não, lá eu não subo agora...não dá, deixa...

Antes de qualquer resposta tratei de subir para a entrada do teatro e me posicionar. Um dos diretores tira meu lenço e faz dele uma atadura improvisada no meu pulso.

Terceiro sinal, as luzes se apagam, damos inicio a terceira apresentação, última do dia. Vejo na platéia a garota enigmática .
Pergunto-me, o que ela queria? Quem era? Algum tipo de ligação com os invasores de cidadela?

Durante uma cena, em meio as frações de segundo no palco, recebo uma coordenada do Oráculo:

- Você foi infectado pelo vírus, precisará abandonar o corpo agora.

Na fração de tempo em que contraceno, aciono outra parte do meu subconsciente para armazenar as informações no disco rígido.

- Oráculo, espere um instante, não posso desligar os sentido vitais antes do término do espetáculo, posso suportar sem ser infectado.

O oráculo insiste: Você foi designado para conseguir informações e recuperar cidadela, não pode se abater por vidas alheias a este mundo! Obedeça a ordem!

Ciente que estamos no fim do espetáculo e do risco, insisto: Tenho ciência que o corpo de Ricardo irá suportar, mais 10 minutos e irei me desligar com segurança. Inicie o Downloud para que eu possa transferir as informações captadas até o momento.

Mesmo sendo minha primeira missão, não gostaria de prejudicar o jovem de quem assumira a vida e colocava em risco sua profissão de ator.

Na última música do espetáculo me sinto fraco, são os sentidos de Ricardo sendo desligados pelo Oráculo. A contagem de segundos é iniciada... 10, 9, 8, 7, 6 ...

Os atores notam meu desequilíbrio, mesmo assim continuamos até o final da música. Black-Out, as luzes se apagam.

- Conseguimos terminar mais uma sessão! Comemora um dos atores.
Caído no palco tenho ciência do sucesso da transferência de dados, antes de desligar meus sentido vitais e permitir o retorno de Ricardo ao seu corpo, ouço os aplausos e os gritos ao acenderem a luz geral.

Já desligado tenho a visão do jovem ator sendo socorrido pelos companheiros...Uma luz forte ofusca minha visão...

Oráculo informa:
Missão concluída com sucesso.....
Instruções de bordo:
Preparar para assumir nova posição na terra..........
Estado atual:
Corpo ainda indefinido...........

REGRESSO - GIRO 360º...



Faz muito tempo que sai para uma viagem sem data de retorno, hoje presto contas dos últimos acontecimentos.

Em julho nossa única publicitária, Patrícia Sette, fera na parte de criação e responsável pela identidade visual de nossos projetos, nos deixou, foi para a agência BZ, situada também aqui em SJC.
Com o Festivale, nosso festival de teatro prestes a acontecer em setembro, resolvi ousar e criar propostas para que nosso trabalho não fosse repassado para uma agência de publicidade fora da Fundação.
Mesmo cursando jornalismo, a vontade, a intuição e o feeling de criação me deram bons insites. Resultado: proposta aprovada, hoje sou um dos “Publicitários – jornalistas” fui responsável por criar toda parte visual do Festivale, do projeto literário Viajam as Palavras, Orquestra Sinfônica e folders de outros eventos da Fundação Cultural.
Demorou, mas acho que encontrei meu papel nesta terra de ninguém...
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Teatro: Neste período a Fundação Cultural em parceira com Cláudio Mendel, um dos diretores de teatro de renome na atualidade, iniciou o projeto do espetáculo “Cassiano Ricardo – O Martim Cererê do Brasil. Ao todo foram 76 pessoas inscritas para o projeto.
Dividido em quatro etapas de seleção, os atores assistiram palestras, participaram do teatro expresso, e oficinas. Até que se chegasse a dois elencos formados por 20 atores: “profissionais” e “estagiários”, os quais passaram por mais dois meses em processo de seleção. Posso dizer, que foi a etapa mais difícil entre exercícios e ensaios de 6 a 8 horas, com reuniões e bate-papos para se chegar no elenco oficial de 14 atores.
Foi no dia 15 de outubro, às 20h30, que estreamos no Teatro Muncipal, e a partir daí iniciamos nossa maratona de três apresentações diárias para as escolas, foram duas semanas maravilhosas entre os desafios e o auto-conhecimento, do qual irei carregar bons momentos.
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Família: No dia 30 de setembro meu irmão casou-se, neste dia reencontrei laços familiares com meus três primos de sampa por parte de pai, os quais não tinha contato pelo fato da família ser bem “desunida”. Atualmente trocamos recados e tiradas pelo Orkut, é bacana ter referências familiares depois de tantos anos e conhecer pessoas do mesmo sangue, com suas vidas atribuladas... as vezes descobro algo em comum...
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Faculdade: Tive uma época na vida em que estudar era meu forte, agora corro atrás do prejuízo para não pegar outras dp’s além das que faço. Se der tudo certo, 2007 será meu último ano. Só não tenho noção de um TCC cabível para a salada mista que virou minha vida universitária. Foram três anos em três faculdades diferentes, todos no mesmo curso...Qdo tiver saco conto isso melhor.
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Amigos: Minha rede de contatos aumentou bastante, porém peco por não reforçar os laços já existentes...


É tudo... Depois disso minha vida acabou e já não faço mais parte desse mundo como matéria que fui...
A partir deste ponto todos aparelhos foram desligados, meus olhos cerrados, meu corpo sem pulso...uma única linha luminosa identifica meu estado vital.
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RicardomaisqueVerissimo

segunda-feira, julho 10, 2006

Uma questão de profissionalismo

Você se sente invisível quando não fazem questão de enxergá-lo?

Hoje é tudo tão automatico, tão defasado que muitas pessoas esquecem da humildade, esquecem de serem humanas, saber colocar-se no lugar do outro, saber respeitar o trabalho e a dedicação do próximo e diria mais, saber respeitar as próprias regras.

O meio artístico torna-se descrente daquilo que é proposto por fazerem uma arte vendida, em todos os sentidos trabalham com talentos já lapidados, em vez de descobri-los.
É tudo tão efêmero que o prazer da troca não comove quem assiste, é só apenas um bando de atores que vomitam o texto exaustivamente decorado.

"Mais urgente não me parece tanto defender uma cultura cuja existência nunca salvou uma pessoa de ter fome e da preocupação de viver melhor, quanto extrair, daquilo que se chama cultura, idéias cuja força viva é idêntica à da fome. Todas nossas idéias sobre a vida têm de ser revistas numa época em que nada mais adere à vida. E esta penosa cisão é motivo para as coisas se vingarem, e a poesia que não está mais em nós e que não conseguimos encontrar mais nas coisas reaparece, de repente, pelo lado mau das coisas; e nunca se viu tantos crimes, cuja gratuita estranheza só se explica por nossa impotência em possuir a vida. Se o teatro existe para permitir que o recalcado viva, uma espécie de atroz poesia expressa-se através de atos estranhos onde as alterações do fato de viver mostram que a intensidade da vida está intacta e que bastaria dirigi-la melhor".


RicardomaisqueVerissimo e Antonin Artaud

terça-feira, julho 04, 2006

Íntimos do Subconsciente

O ato de parar na frente de conhecidos e simplesmente falar na velocidade dos seus pensamentos pode ser mais revelador do que você imagina.
É como se você não coordenasse as informações e as coisas fluíssem. Palavras se repetem, gritos acontecem e os risos paralelos incomodam, e como incomodam.

Neste final de semana, nosso diretor de cenas realizou este feito com alguns atores, eu fui um deles. O exercício iniciou-se com aquecimento e muito trabalho de corpo, depois, de acordo com os nomes chamados a pessoas dirigia-se para a “boca de cena”, e desatava a falar, conforme a dificuldade o assunto era proposto pelo diretor.
Juliano, um dos atores, falou do Parque da Cidade, lugar onde fica nossa caixa preta, o “CET - teatro” e uns devaneios particulares.
Bebel, narrou suas desgraças à parte, falou de seu joelho problemático e de seu médico fanho, arrancou gargalhas, minhas em especial.
Sakamoto, atriz iniciante, deixou-se dominar pela timidez diante dos olhares, em especial do voraz diretor em desnudar-nos.
Voluntário, eu não esperei meu nome ir para a forca, falei da minha situação financeira e descarreguei metade da raiva na condição de ser universitário no Brasil.
Porém, foi Márcia quem comoveu a maioria dos que ali estavam presentes, pega de surpresa em meio a um outro exercício, ficou agitada,
falava as palavras desordenadamente.
A bela morena de 27 anos, com dificuldade em pular corda, revelou-se uma criança com poucos feitos e sonhos, os olhos arregalados faziam as pessoas pedirem em gritos mentais que a “tortura” parasse. Sentia-me constrangido por ela em vê-la intimidada.
Sob a luz branca e o olhar do diretor, Márcia falou de suas dificuldades corporais, seus 7 gatos, entre outros pensamentos escondidos no subconsciente.
O diretor pedia menos movimento, somente a fala, e nisso a agitação interna da atriz foi cessando, os pensamentos fluindo e a menina virou mulher diante de todos, recitou uma poesia de Cassiano Ricardo, além de distinguiu três tipos de pessoas, num livro que leu de Sergio Britto, as visuais, as auditivas e a racional. Ela classificou-se auditiva.


Tudo isso me fez perceber o quanto vulneráveis somos diante dos outros e que o espelho nem sempre reflete o que somos ou pensamos...
Ouvir a própria voz em pensamentos soltos é realmente assustador, é como se descolar do corpo, e o corpo fosse somente a carcaça. O que somos vai além dos cinco sentidos. Tudo desaparece e o subconsciente espirra as informações e ações nossas de cada dia, Como marionetes por todos os lados, manipulados...
Ser ator implica em saber colocar e expurgar isso em diversas formas, é saber quando parar, quando falar, quando ouvir e quando sentir. É conhecer a ação fragmentada no íntimo do nosso subconsciente. O auto-controle se faz dessa prática, mesmo que assustadora. Experimente!
" Se um poeta consegue expressar a sua infelicidade com toda a felicidade, como é que poderá ser infeliz?"(Mário Quintana).

RicardomaisqueVerissimo




segunda-feira, julho 03, 2006

Redescoberta

Achar que UMA vez é o suficiente para conhecer nossos movimentos, limites e impulsos é um pouco de pretensão. Descobri esse meu engano exercitando meu corpo, o que não fazia a tempos.
E a cada refazer,
Uma nova descoberta pinta, acontece...

No processo de seleção para o espetáculo Martim Cererê do qual eu participo, cada aula tem sido um obstáculo vencido. Ouvir o som de a minha própria voz ecoar, sentir a perna tremular ao falarem meu nome e ficar sob a análise de olhares criteriosos tem sito bem revelador do meu Eu.

A cada espasmo de ação, eu sinto que gosto mais. Errar não tem sido um bicho de sete cabeças e a experimentação acontece sem que meu pensamento me coordene. Isso sim, tem sido fundamental para o Eu ator. Ter consciência do meu físico, ter a potencia da minha voz a disposição do meu impulso, ir sem olhar para trás. Propondo - me a fazer e ver o que acontece.

Já totalizaram-se em oito os dias de pura redescoberta... os laços ainda se estreitam, novas amizades surgem, poucas cumplicidades se firmam. A seleção natural é um fator inevitável do qual passaremos constantemente, principalmente no TEATRO.

RicardomaisqueVerissimo

terça-feira, junho 20, 2006

Planeta dos Sentados

Hoje eu aniversariei. Um ano conturbado, acontecimentos imprevistos tentaram me tirar da rota, bagunçaram meu coreto e atrasaram meu relógio...

Mesmo assim, eu resisti.

Fiz 24, idade do deboche. Maduro, pronto para novas experiências, e melhor preparado para futuras frustrações, desavenças, mau humor, e tantas cosias mais que irão estilhaçar meu teto de borracha, onde eu apago e reescrevo minha vida em anos.

É TEmPo de desMistificar vElhos DitaDos:

Beleza não põe a mesa.
Mentira!

Neste feriado eu passei por uma bateria de testes para um projeto teatral, percebi no final de tudo, que talento não supera a questão da imagem, e imagem é publicidade, mercado, dinheiro...

Peitinhos e bundinhas estão em alta no mercado, todos querem associar suas marcas, seus slogans e seus produtos a belos rostos de cabeça vazia e inexpressão facial.

Um rosto bonito tem maior peso do que velhas teorias e perfeita conjugação do verbo da primeira a terceira pessoa, um rosto quem aceito abre portas e estende o tapete vermelho para arte de massas, e deploração da arte como um bem de direito social, a beleza não depõe a arte, somente o faz quando é considerada como requisito no lugar do talento, o que a meu ver difere uma da outra.

No mais, azar de nós, os feios...
Meu placar zerou, tenho novamente 360 dias para recomeçar, arrumar e consertar o que está quebrado.
Novo trabalho no teatro e novos amigos, tempo de reconhecer o terreno por onde piso, por que o desafio só começou...

quarta-feira, junho 07, 2006


Grande Semana...
Grande dia...
Grande momento...
Portas se fecham...
Janelas se abrem...

Ontem começou a Semana Estado, diversas faculdades participam de 06 a 09 de junho, com palestras sobre jornalismo correspondente, profissão repórter e Desenvolvimento Sustentável.
Minha empolgação foi maior, quando recebi um telefonema a fim de marcar uma entrevista para o cargo de redator e revisor na Yes Comunicação. Então...? Eu fui!

Já fiz diversas dinâmicas em que fui com meu cabelo maior, All Star preto, num estilo mais urbano e social, evidentemente eu não passei. Desta vez eu resolvi não errar! Estudei o único site que indicava ser da Yes Comunicação, e fiz o estilo mauricinho, com roupa social.

Se eu pudesse ser um avestruz em certas horas...

Madruguei para enfrentar a selva de pedra, arranha céus, banners com propagandas monstruosas, contrates entre nEgRoS, BraNcOs e AMarelos, geNTe diferente, oxigênio urbano, trÂnsIto, portas se abrem, estações: ParAIso e CoNSolaçÃo, cruzamentos, caRRos, semáfOROs...aaaahhhhhhhhhhhh!

E eu estava lá, no horário combinado, competindo com mais cinco pessoas formadas e mais experientes do que eu, era o que parecia.

Meus concorrentes vestiam cada um ao seu estilo, jeans, jaquetas, tênis e acessórios transados. Já a Yes é uma agência segmentada em construção civil, nada do que eu havia estudado. Mesmo assim acho que cumpri meu objetivo no teste de redação, salvo algum erro na pontuação, o que é um fator determinante.

Bem, valeu a experiência de me sentir paulistano por um dia, andar pelas ruas de sampa, ver gente diferente, movimento diferente e saber que a selva de pedra não é tão assustadora o quanto parece...

ADVOGADOS


Queria publicar e não deu tempo.

Resumindo a merda, estou sendo processado pela faculdade UNIVAP por uma divida deR$ 3,900, a qual não tenho um tostão furado para pagar em decorrência da minha outra universidade, além da minha bolsa auxilio que é a única fonte de renda.

Outro fator que incomoda, é encontrar um bom advogado, é praticamente um parto. Na breve busca que fiz, eu me deparei com um perfil chave de cadeia e outro ocupadíssimo, pior que o novo Papa.
Bem, peguei um lerdinho que da para o gasto. E lhe fiz as seguintes perguntas na chata negociação, como segue abaixo.

Posso ser preso?
NÃO
Podem vir até a casa da minha mãe e pegar móveis e objetos que estejam no nome dela?
NÃO
Esse processo caduca em 5 anos? Ainda faltam 4.
Sim
Minha conta salário será desbloqueada por lei como única fonte de renda?
Sim
Depois desse tempo meu nome será limpo do cerasa e minhas outras contas desbloqueadas?
Sim
Então pra que pagar!?

Mas você não poderá usar cheques e nem cartões??
Cheque? Cartãoooo? Isso não me pertence mais! Vai lá propõe $$$$$ a vista e não se fala mais nisso! Se não aceitarem o problema é deles!

Moral: Se a gente pode simplificar para que os advogados resolvem complicar?
Fui...


RicardomaisqueVerissimo

BOM DIA

Você esta com algum problema?
Não...
Tudo certo?
Tudo...
Bom, eu quero falar com você a respeito da sua baixa produtividade. Eu notei que você fica muito no canto, digita suas coisas e não vejo resultado. Eu quero saber o que anda acontecendo. Você está desmotivado? Não tem serviço?

Não...Realmente eu estou ocioso, mas procuro algumas coisas para fazer...

Outro dia me perguntaram o que as meninas e os outros meninos fazem aqui. Eu disse, Ah fulano cuida da publicidade, os meninos produzem releases, divulgam...e o Ricardo? Ah ele ESCREVE MAL e é o FUCEIRO da seção, ele sempre acha um assunto para a GENTE DIVULGAR...

Depois dessa injeção de ânimo que levei nas costas, sai da sala, sentei na minha cadeira e refleti no poucos mais de um ano de estágio, com sábados e domingos trabalhados, noites varadas em fazer o melhor além da dedicação ao ponto de pegar 3 dp’s na faculdade...

Redigi uma matéria sobre uma exposição, levei bem mais que o tempo normal, enviei para imprensa. Resultado? Matéria no jornal de domingo, uma matéria no rádio e outra para a TV...
Ah, claro, ia me esquecendo, mais uma vez não fui agradecido por escrever MAL...
* Isso já deveria ter sido públicado...
RicardomaisqueVerissimo

quarta-feira, maio 31, 2006

Muita coisa aconteceu desde então...

Contextualizar tudo? Acho q naum. Estou num momento de introspecção com o mundo, com quem conheço e com quem desconheço.
A constante busca e as comparações inevitáveis não cessaram, sou eu em transmutação de pessoa e de humor.
A merda disso tudo é ter que ouvir coisas imbecis de pessoas imbecis.

É esfregarem na minha cara que eu não sou tão bom o quanto tento ser.
“Você escreve mau.”

É ter que engolir uma opinião de quem não me conhece e me persegue.
“Você queria ser igual a seus amigos, Você tenta ser igual a seus amigos”.
“Você é tenso no palco”.

Podem até achar que eu sou uma pessoa do tipo que não gosta de ouvir critícas. Não é isso, só não gosto de ouvir coisas que talvez seriam desnecessárias dizer. Coisas que são ditas somente para alfineta, magoar e ofender...

Política, econômia, TV, cinema, música, teatro, cidades... esses são alguns dos acontecimentos que me interei sobre...

Governo de SP negocia e PCC encerra rebeliões
O fim das rebeliões foi negociado entre representantes do Estado de São Paulo e o líder do PCC, Marcola. A Secretaria de Administração Penitenciária nega o acordo, confirmado em outras fontes


Exibição de "O Código Da Vinci" é suspensa em Estados da Índia

Masp faz acordo e Eletropaulo retoma fornecimento de energia

A peça BR3 pode suspender temporada antes do fim
A empresa TransRio não vai mais arcar com o patrocínio da montagem do Teatro da Vertigem cujo ‘palco’ é o Rio Tietê

Sharon Stone bate recorde em arrecadação para combate à Aids


RicardomaisqueVeríssimo

terça-feira, maio 09, 2006

Lembrado como um Santo


Hoje é um dia atípico na Fundação Cultural Cassiano Ricardo, dia do velório do Geraldão, funcionário da casa há anos, e de certa forma querido por todos.
Motivo? Infarto.
Ao chegar aqui, me deparei com uma movimentação diferente, sussurros pelos cantos, olhos vermelhos e comentários.
O comunicado era claro: Funcionários estão liberados para o velório ao contrário dos estagiários.

Este foi um dos motivos para eu permanecer no meu lugar, além é claro detestar velórios. Lembro-me nitidamente de todos que fui e não foram poucos. O mais marcante foi da minha avó. Mãe de 14 filhos, (cá entre nós, aja disposição) foi o que mais comoveu-me, pois eu era criança, chorei muito sem entender a causa daquilo tudo.

Só anos mais tarde vim a saber que aquela avó carinhosa, era bem radical com os filhos...enfim, ela não chegou a bater o recorde do meu avô.

O velhinho morreu aos 92 anos, até ali, modéstia parte viveu em plena saúde infernizando o resto da família. Quando se irritava, falava palavrões de alto nível e em verbetes irreconhecíveis, tinha tino comercial, barganhava relógios, e se preciso entrava numa briga. Para todos os efeitos a opinião dele era a que valia. Ai daquele que discordasse.
Lembro-me que nas poucas viagens juntos, quando chegava a noite, nós morríamos de medo, pois ele parecia um fantasma, andava com um pijama clássico, arrastava os chilenos e uma usava uma touca de Papai Noel, só que branca. Por ter apenas só 10% da visão, ele entrava de sopetão nos quartos, obviamente achando que era o seu.
Morreu xingando os médicos e sua empregada. A “Princesa” como ele a chamava. (era irônico e isso eu puxei do velho), Princesa por quê logo de manhã ela chegava, fazia meia dúzias de coisinhas e passava o resto do dia deitada assistindo TV. Contudo o que era interessante era a companhia que ela fazia ao meu avô...Era bem engraçado.
Durante os últimos anos de vida do meu avô, vim a saber que o velho, quando moço, batia na esposa e colocava os filhos abaixo de C...de minhoca, além de outras mazelas...

Segundo soube, Geraldão era sozinho, sem família e provavelmente ficaria com seqüelas. Para que sofrer o resto da vida sozinho?
Por isso acredito que a morte foi mais confortante para ele. Além de ser lembrado talvez como um Santo...e assim caminha a vida.

RicardomaisqueVeríssimo


sexta-feira, maio 05, 2006

Um dia para mim

Quero um dia somente com a minha companhia. Desconectar-me do mundo, sem internet, sem telefone celular, sem obrigações, sem meias palavras ou palavras atravessadas...

Quero sentir-me sedentário do acaso somente por um dia. Ver programas fúteis, não ter que pensar muito e comer, comer tudo o que eu quiser e tiver tempo.

Quero a casa quieta, escura com ar de outono, aqueles, com pantufas nos pés, moletom velho e cobertor de infância...

A única presença que aceito para dividir o sofá será minha mãe...E um belo copo de chocolate quente...

Quero adormecer e acordar de tardezinha, com cheiro de pipoca, ver pela janela o frio da noite que chega e o balançar das arvores...

Uma tarde em que no colo da minha mãe eu possa adormecer, adormecer e não mais acordar.

Quero um dia só pra mim...


RicardomaisqueVeríssimo

AS HORAS


Acordar/ Olhar no espelho/ Tomar banho/ Comer/ Bom dia no ponto de ônibus/ Trabalho/ Textos/ Amigos/ Jornais/ Leituras/ Risadas/ Papo no Blog/ Saudade/ Risadas/ Texto na tela/ Cheiro de Café preto/ Lembro da minha Mãe/ Sexta-Feira/ Fotos/ Pautas/ Trabalho/ Risadas/ Palhaçadas/ Amigos/ Chefe na TPM/ Agenda para final de Semana/ Café preto/ Sol no rosto/ Brisa no Corpo/ Verde/ Caminhada/ Asfalto/ Fim de tarde Urbana/ Carros/ Pessoas/ Estranhos/ Pensamentos jogados na Selva de Pedra/ Saudade/ Amigos/ Contatos/ Faculdade/ Van/ Noite Fria/ Risadas/ Amigos da Van/ Casa/ Mãe/ Banho/ Cama/ dormir...

Tudo isso em um dia...

Hj a sexta-feira é fria e quente, uma sensação que sinto somente no Outono.

É engraçado como mudamos, como nos lançamos nas diversas fases...ontem, eu ouvi uma colega dizer:
“A gente tem a fase da auto-piedade, do desprezo, da revolta, da compaixão, do descaso, do gostar demais, do foda-se...”.

Eu estou na fase do descaso alheio, deixo as coisas acontecer...
Me lembro que aos 20, quando sai da casa da minha mãe para dividir apartamento, eu fazia listas para absolutamente tudo, compras, contas, pessoas, trabalho, programas de TV, filmes, livros, limpeza de casa, lazer... tudo absolutamente listado.
Claro q eu nem fazia metade do planejado, sempre atrasado, esquecido, aminésico da vida.
Porém para meu apoio moral, a lista estava lá. Isso me dava uma tremenda segurança, só em saber que existia um roteiro de coisas eu já me sentia melhor...
Hoje, aos 23 anos, mais maduro, mudanças aconteceram, emprego, casa, faculdade, espírito, relacionamentos, amigos... Eu não me importo com o amanhã, ou com o depois. Deixo as coisas acontecerem ao seu tempo. Como quando tenho fome, trabalho quando há trabalho, me divirto com pessoas especiais, e a agenda, ficou em um canto da minha estante pessoal, em branco, absolutamente em branco...

RicardomaisqueVerissimo



quinta-feira, maio 04, 2006

Mesa de Sinuca


Tenho a impressão que o cara que inventou a mesa de Sinuca, deve ter se encontrado em um dado momento de sua vida encurralado. Só pode ser!

Vivo um grande pequeno dilema. Grande por causa das conseqüências e dor que posso causar e pequeno por ser apenas uma a parte afetada.
Seria talvez o mal chamado amor?
Amor? O que seria esse sentimento?
Dizem que por esse sentimento algumas pessoas matam, morrem, deixam de comer, beber...
Isso pra mim ainda é falso moralismo ou falta de auto estima.

Dilema, uma palavra constante em mim, em todos aspectos.
Como acabar com isso? Como dizer Eu Te Amo, sem amar? Como resolver algo não resolvido? São questões que carrego...

Ahh, vida bandida que me leva por caminhos tortos e torpes. Torpes por conta do desejo...

Acho que só Antonin Artaud para me compreender nessa vida de Sinuca:

Jogamos então?
Qual a bola da vez?
Familía? Acho que, amor?!
Hum...Que tal a desejo?!
Não, não, que tal você?! Ou...que tal Eu?
Numa tacada só?
Pode ser!
RicardomaisqueVeríssimo

quarta-feira, maio 03, 2006

OUTONO

Lí numa comunidade do orkut, que uma amiga tornou-se Budista, ela disse ter tido um encontro consigo mesma. Também necessito de um grande encontro comigo mesmo.
Essa é sensação que tenho ao olhar-me por dentro. Os dias estão ficando frios, é 03 de maio hoje, e sinto-me alheio ao meu pequeno universo de coisas...
Coisa boas, bestas, sem importância...sei lá, coisas que as vezes parecem importantes, e que também tornam-se sacal...
Há horas que necessitamos de grandes mudanças, sou movido a isso, mas também a segurança pode parecer boa...pra mim? Não sei. Só sei que ainda sinto falta de algo que talvez ainda nunca tive.
Os dias estão ficando frios, é 03 de maio hoje...
Minha mãe aniverisáriou...ela está alegre com o possível casamento de meu irmão...é hirônica a vida em certos momentos...Eu retornei para casa em 2005, meu irmão irá sair em 2006, o que parecia impossível aconteceu...ele mais que precisa crescer e eu crescido ainda não sei o que preciso.
Os dias estão ficando frios, é 03 de maio hoje...vi logo de manhã no telejornal a crise na Bolívia com a Petrobrás, os cadernos culturais antecipam estréias, e a resenha sobre o livro Os Heróis, terceiro da série Os Intelectuais, que começou há quase 20 anos, escritos por Paul Johnson. Isso trouxe-me velhas perpectivas e revelações em relação aos grandes mestres, como Picasso, um homem comum, não perfeito, que também produziu coisas talvez inúteis...me confortei em relação a isso.
Minha cabeça dói...vou almoçar, hoje é 03 de maio e os dias estão ficando frios...
RicardomaisqueVeríssimo

quinta-feira, abril 27, 2006


Encontro-me em constante VERBORRAGIA

IdéiAs desconExTas...
pAlVrAs sOlTas...
ConfuSão de Desejos...
Sou eu em constante VERBORRAGIA.
Ricardo mais que Veríssimo
" Tudo Sobre minha MÃE"

EXtInto FelInO...
Quero seus afagos e suas caricias,
Quero seu amor e seu toque.
Ser sua comida, deitar em sua cama e sentir textura de sua pele.
Desejo seu despudor,
O calor da sua saliva.
Quero seus beijos e olhar nos seus olhos.
Beber a água da sua boca,
Sentir a temperatura da sua língua.
Quero ser seu leito,
Só por essa noite.
Quero ser seu marte...
Descrupular suas ideologias,
Reinventar sua ira,
Expurgar seu rancor.
Quero quebrar seu telhado de vidro em mil pedaços,
Ouvir seus gritos.
Empraguear-me de insultos!
Quero ouvir te desejar minha morte.
Tremular sua voz. Amaldiçoa-me!
Me entorpea de tapas e pontapés pelo corpo,
Abra a porta,E me expulse para sempre...
Até eu partir...

Ricardo mais que Veríssimo

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Frases de Marte...


A claridade da ação e do tempo não afetam a minha estética,
afetam a minha crença...

São raras as vezes que vejo que posso descolar do meu corpo...

A mente fantástica improvisa a personagem.

Exteriorizar o medo no papel, nos mostram que eles são pequenos...

A paisagem pode ser boa ou ruim, o fato é que ela é inserta...



Ricardo mais que Veríssimo

Impressões do escuro, Elas atRapalham minha vIsãO,

É esTranho eSSe estAdo que as veZes não busca VocÊ para mIm.

sOMos ying Yang...

AçõEs inVoluNtárias tenTam nos Unir,

É estRanho cOmo A buSca de uMa Nova ideOlogia atRapaLHa o Nosso enContro.

Eu Pareço o ReflExo da SociedadE MidIATIca...

O burACo do esPELhO esTÁ fEchADO.



Ricardo mais que Veríssimo

sábado, janeiro 28, 2006

Reflexo...

"Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaude
basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.
Um novo corpono qual nunca maispoderão esquecer.

Eu, Antonin Artaud,
sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre morto.
Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.

A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.
Onde as pessoas procuram criar obrasde arte,
eu pretendo mostrar o meuespírito.
Não concebo uma obra de artedissociada da vida.

Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseilleno dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.

Antoni Artaud

sexta-feira, janeiro 27, 2006

A maçã de Eva...

Em uma das minhas diversas e reservadas viagens, embargadas em um bom chá, perguntei-me em ápice de brisa: E se em vez de maça, Eva tivesse fumado um baseado? Afinal era uma planta e com certeza ela estava no paraíso, não surgiu do acaso.

Visualizando a situação por este ângulo acredito que nem a idiota daquela serpente sabia da existência da erva no Paraíso. Agora a merda ta feita...

Mas, e se Eva trocasse a primeira mordida pela primeira tragada? Tudo aqui seria diferente. O dia teria 32 horas, as pessoas iriam parar de trabalhar por volta das 17 horas para apreciar o por do sol nos finais de tarde, abraçaríamos um ao outro ao falar Bom Dia, no verão a norma seria trabalhar de bermuda em dias de muito calor, a nicotina seria considera lixo, doses homeopáticas da erva seria recomendada para equilibrar e formar cabeças pensantes.

O presidente seria obrigado a fumar um baseado por dia durante seu mandato, assim teria idéias iluminadas, os parlamentares receberiam pequenos cigarrinhos a cada presença em reuniões da câmara. As escolas teriam a auto-expressão como disciplina no ensino fundamental, onde os alunos usariam muros como cadernos, pichando poemas de Carpinejar, Cecília Meirelles e de autoria própria, em vez de raves e noitadas de funk, existiriam saraus em praça pública, com música, teatro do absurdo e muito vinho, a noite seria boêmia para todos, não só para os cariocas... Quem sabe?!

Bem, talvez Eva fumou sim, a “laríca” bateu e ela comeu a única coisa que viu pela frente...suculenta, cheirosa, vermelha, doce... à MAÇÃ.
Ricardo mais que Veríssimo

Por que as prostitutas da Praça Afonso Pena são feias?

Elas já foram rotuladas como, melindrosas, atrizes de pornô chanchada, cocotes, acompanhantes, garotas de programa, prostitutas, primas...etc...etc...e etc... No Brasil, poucas delas conquistam êxito nessa sociedade hipócrita. Aqui tivemos Hilda Furacão, prostituta na década de 60, bela e jovem, largou família, noivo e o ciclo da alta sociedade mineira de Belo Horizonte, para viver por quatro anos na zona boêmia, no “bairro das Camélias”, dizia ser sua sina. Fez fortuna e partiu sem destino. Sua história transformou-se em livro e tema para minissérie. Para muitos, Hilda não passou de uma história bem contada por Roberto Drummond.

Atualmente, a mais recente é a bela, Rachel Pacheco, ou Bruna Surfistinha, aos 21 anos e dona de uma sinceridade letal, a paulistana de classe média deixou pais, amigos e foi viver em casas de prive e em seu flet em São Paulo.
Hoje, Rachel deixou a profissão de garota de programa, sua história resultou em um livro autobiográfico, “O Doce Veneno do Escorpião”com a personagem Bruna, vendeu 10 mil exemplares em uma semana. Tem repercussões em várias emissoras e sites pela rede, e irá virar longa metragem. O motivo pelo qual Rachel alcançou seus objetivos? Seu belo corpo, curvas e rosto.


Faço aqui um contraponto; Por que as prostitutas da Praça Afonso Pena são feias?

Olho aquelas mulheres com compaixão. Jovens, maduras, loiras, morenas... são várias que perambulam pela praça, no centro em busca de R$ 10 reais ou quantia menor. É possível cruzar com uma logo pela manha ao ir para o trabalho.
A diferença que vejo nas mulheres da Afonso Pena para as Hildas e Brunas espalhadas por ai, não é a história, e sim o descaso próprio. A mulher de programa que se preze é narcisista, ela cuida de si, sempre esta bela, cheirosa a espera do seu primeiro e do último homem da noite. Em suas curvas poderemos nos deleitar, voltar para nossos lares mais felizes, sabendo que aquele momento valeu a pena.


O a libido não é encontrado em sarjetas ou latas de lixo, esta em cada um. Por que então o descaso? Por que então marginaliza-lo?
Confesso que não sou admirador do prazer pago, mas se o praticasse, certamente iria querer alguém que despertasse em mim o que não tenho na minha cama.
A mulher da vida ideal é aquela que cuida de suas formas, as mantém, ama a si primeiro, para amar o outro, cuida de sua beleza, é perfumada, sabe o que quer.
Essa sim é digna de uma boa remuneração depois de fornecer prazer alheio, essa sim tem ambição e pode se dizer que está ali de passagem, como Hilda e Bruna, que souberam fazer a vida.


Feias ou belas, as prostitutas da Afonso Pena, assim como milhares por ai, sabem oferecer carinho. Presencie essa cena ao ver um homem jovem, negro, deitado nos braços de uma mulher da vida... Ela? De meia idade, um pouco acima do peso, pele morena, roupas inadequadas que exibiam suas carnes, batom vermelho sangue, cabelos maus tratados pintados de preto, unhas bem feitas, acariciava lhe o rosto daquele que certamente lhe pagaria pelo menos o pão de amanhã.

Por este momento, concluo que perdemos a bela e fogosa, Bruna Surfistinha, mulher assim para fornecer prazer vai ser difícil, só em Vip e Playboy, ou na Private. Mas ainda sim, oponho-me a um amigo e vou preferir sempre as brasileiras. Menos as que ficam na Praça Afonso Pena...


Ricardo mais que Veríssimo

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Corpo de ninguem...

Ao me olhar nu frente ao espelho, peguei-me em pensamentos... Nada como descobrir-se sedutor, ter um tesão próprio e saber fazer alguém feliz.
É isso ai, descobri me com um grande talento para satisfazer alguém, fui capaz de passar por muitos lugares, muitos travesseiros, num misto de mãos, línguas e olhares safados que em algum momento desejaram-me.
Porém, nunca me dei conta de como, quantos, quem e onde tudo isso ocorria. Quando me via já estava envolto a lençóis alheios e o sentimento de culpa levava-me de volta ao meu chuveiro, sentido a água morna purificar-me de todas aquelas marcas impressões deixadas em corpo, de toda aquela saliva que tomava conta do meu pescoço, cabelos, e nuca.
Sempre pensei em ser absolutamente de alguém e como me comportaria nesse papel de ter um único amante, uma boca dona da minha... Estou aqui, mas descobri que não sou dele, de mim ou muito menos serei de alguém. Sinto a necessidade de ser sempre do próximo, ou talvez próxima.

Ao sair pela cidade, reconheço olhares e sorrisos maliciosos pelos lugares que passo. Uma boca familiar no ônibus me diz “Oi”. Em uma loja de Cd’s, atrás do balcão, mãos que hoje apertam as mãos dele, apertaram meu corpo contra o seu próprio há um mês atrás em meu quarto. Ops! Reconheço aquele par de coxas?!
Ao caminhar em direção a um quarto para o pecado, esbarro com olhos que me fitaram nu, certa vez em gozos múltiplos.

Em pensamentos libertinos e até saudosos de diferentes amantes daquele ao meu lado. Ouço uma voz no vazio daquilo tudo ao meu redor:

Você o conhece?

Ah, sim, é um amigo... Vamos embora?

Se ele soubesse o que faço em suas ausências... não me culpo. O desejo do meu corpo é maior do que a minha fidelidade. Descobri que o amor é psicológico. Defino-me um incompleto e sempre apaixonado pelo mundo, porém ceder meu corpo ao próximo para mim é uma questão de boa ação, dividir minha carne e meu prazer é essencial.

Meu sexo para mim não torna-se exclusivo apenas de uma pessoa. Sexo para mim não é uma celebração, é uma necessidade de alimentar o EGO alheio.
Quer experiência melhor quando falam em confidência que você é delicioso? Sentir o descontrole mutuo, ver aquele lhe desejar ali mesmo, arrancando-lhe um pedaço de carne, pedir por tudo que durma com ele de novo...
Sinto-me querido, entre braços, pernas, mãos, bocas, línguas e trocas de salivas a parte... Meu cheiro penetra no corpo que conheci a pouco e ao pé do ouvido posso ouvir em pleno centro da cidade em um dia de muito sol.:

Saudade de você. Dorme comigo hoje? Vai, dorme comigo só mais esta vez?

Posso te ligar depois?

Ainda insisto nessa pergunta, por que se sei que dificilmente irei ligar, geralmente consigo apenas ceder-me em braços desconhecidos por uma única vez.

Concluí; Em uma manhã acordei em um quarto de hotel, observei seu corpo nu ao meu lado, insistindo em ampara-me quando o corpo que ampara é o meu.
Entendi naquele momento, que a fidelidade de corpo é sem dúvida abrir mão da vida e do prazer da carne. Abrir mão de muitas bundas durinhas, bocas ainda vivas, línguas quentes na juventude e olhares expressivos para uma boa foda.
A fidelidade foi inventada por quem nunca soube viver, talvez um mal amado qualquer, um dissoluto.

O prazer pode gerar lágrimas ou petrificar um coração pulsante. Mas sem o dom de amar, canso de me perguntar. Onde serei capaz de descer nessa putrida vida? Até quando conseguirei olhar-me no espelho?
Levanto-me e ele ainda dorme o sono dos justos... e tudo que preciso é remover essas novas marcas em meu corpo, uma ducha com água morna, pois sei que você logo me espera.

Você é capaz de me esperar?
Hein?!
Precisa de mim?
Que ótimo, acabe a leitura, por que eu também preciso de você... Mas só por está noite...
Ricardo mais que Veríssimo

Três picadas e quatro mil dias

Na primeira picada, senti um calor... puder ver a vida se esvaindo de mim, sua cor era vermelha, seu estado era liquido, sem grandes formas variadas.
O primeiro frasco iria determinar quanto tempo eu teria para ver o que ainda não vi, para dizer “eu te amo”, para sentir o cheiro da chuva, ler os livros que não li e mandar o que não me tolero a merda.

Estar naquele ambiente me assustava, a espera era grande, porém aquela demora fazia-me recordar em nostalgia o motivo pelo qual estava ali. Em vagas lembranças recordei-me das incontáveis transas, trocas de gozos e salivas. Eu me perguntava: Será que tudo aquilo valeu a pena?

Com apenas 23 anos, um vírus podia varrer todos meus desejos e conquistas que eu poderia alcançar em uma juventude esplêndida. De acordo com as pesquisas e o coquetel recentemente descoberto, meu tempo de vida estimava-se em dez anos...Tudo isso para mim era frustrante, e eu me perguntava em meio a tantos planos abortados como um feto que não vinga, Onde foi que não me cuidei?

Recordei-me de uma transa, com dois corpos ao mesmo tempo, juntos éramos em três e posso dizer que aquela foda foi maravilhosa... beijos molhados, línguas descontroladas e membros memoráveis... ahh se eu pudesse voltar no tempo. Eu o faria novamente.

Uma ponta de dor trouxe-me de volta ao consultório, a enfermeira desculpou-se. Agora o segundo frasco vazio sentia o pulsar de minha veia, ele era capaz de determinar meu tempo de vida em dias, aproximadamente quatro mil dias. Que ironia era tudo aquilo, aquela sala branca, aqueles aventais, luvas, cápsulas, agulhas... e aquele cheiro de éter.
Tudo aquilo poderia fazer parte da minha rotina nesses quatro mil dias, sentia-me condenado, sem direito algum em dividir meus medos, minhas angustias.
Peguei-me pensando em meus pais, a época de sua juventude, em que a liberdade sexual era a bandeira de jovens da década de 70. Tudo aquilo não fazia sentido, contaminar-me em pleno século XXI, com tanta informação, TV, internet, orientação sexual em escolas, faculdades... sentia-me envergonhado.

No terceiro frasco queria chorar diante das minhas impossibilidades, em apenas quatro mil dias meus cabelos poderiam cair, minha pele secaria, manchas por todo meu corpo poderiam transformar-se em chagas, meus ossos atrofiariam, eu não teria forças para andar, dores infernais iriam prolongar meu sofrimento, eu se quer teria forças para chorar... era uma guerra que tinha grandes chances para ser perdida, ou sustentada por mais algum tempo.

Depois de três picadas, eu saberia dentro de dias o resultado do prazer sem cuidado, do que o desejo descontrolado, sem pudor era capaz. O ato seduzir-se em olhares maliciosos poderia levar me para um buraco lugrúbe, sem porta de saída.

Quinze dias se passaram, a longa fila transformara-se em agonia, tudo dentro de um envelope, o cheiro de éter e álcool já não me incomodava mais, decidi familiarizar-me com aqueles aventais brancos, aquele ambiente sem vida, lençóis azuis, histórias de todos os tipos, era como se a vida e a morte tivesse início em apenas um lugar. Pêgo em pensamentos vagos, ouvi um chamado bem aconchegante, discreto e profissional de um daqueles anjos que me amparam na busca pela verdade.

Oi, você nos trouxe o resultado de seu exame?

Aparentemente calmo e conformado, ainda depositei uma esperança para aquilo tudo.

Sim, aqui está.

Vamos ver...hum?...

Tentei em eternos segundos ler todas expressões possíveis, o contrair dos músculos da testa, o olhar atendo para aquela folha de papel. Minhas mãos apertaram-se uma contra a outra. Não me contive com os segundo que viriam naquele corredor com cheiro de éter.

E então?

É...deu negativo, você está limpo.

Agradeci, ouvi tudo o que já sabia em relação ao assunto e que não praticava. Cruzei aqueles corredores, como se cruzasse o purgatório dos muitos espalhados pela cidade.
Sabia que não estava condenado, que poderia desfrutar dos prazeres da libido, agora com mais cuidado.
Mudar para que? Minha essência pedia isso, correr atrás do sentimento que chamo de amor...


Ricardo mais que Veríssimo

Não existem mais brasileiros como Elis Regina

Diante da minha tv observo o mundo que nos cerca, a cultura de massa fabrica cada vez mais pessoas com estereotipo saídos da mesma forma. Todos ao redor são aparências e discursos, a juventude de hoje é feita com cérebros em enxertos de silicone e botox, pensamentos esticados em lifting, alimentados com aminoácidos, e algumas pílulas de êxtase que prolongam o barato do yellow world.

É como sentir-se um peixe fora d’água, fora do contexto a que sou submetido.

É quase um boletim, Marte Informa...

Buemba! Buemba! Buemba! Cabeças pensantes foram cortadas em praça pública, livros que registravam as melhores histórias de grandes pensadores foram queimados, discos foram quebrados. Foi decretado o fim de conversas produtivas e baratos inocentes.
O que era uma viagem natural, foi suprimido por compridos e pó branco fabricados em laboratórios, as rádios a partir de hoje tocaram letras redundantes e com poucos refrões. Está decretado o fim de tudo...

Onde estão jovens como Caetano, Gil, Zé Celso, Elis, Rita Lee entre outros que fizeram algo por este país. Hoje, depois do domínio do efeito Bulling, muitos deles deixaram-se ridicularizar e dominar-se pelo estrelismo de elite, afinal “Times is Money”, isso Zé Celso e Caetano explicam em sua atual filosofia.
Pergunto-me: Como estará o Céu com Elis no pedaço? Será que até lá ela não segurou a língua de desferiu elogios?! "Se ser geniosa, exigente e não gostar de ser passada para trás e ser mau-caráter, então eu sou.". Será que ela já mandou algum daqueles anjos para Puta que Pariu?! De certo já, a Pimentinha nunca distribuiu sorrisos amarelos. É essa franqueza nos faz falta nos dias de hoje.

Amada, odiada, colocada em dúvida...Elis era uma metamorfose de tudo o que havia em sua época, contraditória, polêmica, política, mãe, mulher, artista apaixonada pela profissão...Podiam levantar todo tipo de falso testemunho contra ela, mas uma coisa era unânime em sua personalidade, a sinceridade e franqueza imperavam naquela pequena grande mulher.

É... Não se faz mais brasileiros como Elis, intensa, sincera doa a quem doer, chega de jeitinho brasileiro pra tudo, chega de formar cabeças ocas, chega de refrões bestas e a grande festa no apê chamado Brasil.

Tados, lados, cados. Marionetes por todos os lados, manipulados...A moda me inventa, a grife me agride, grite, grife, gride... Talvez a última viagem para fugir desse mundo não meu, é um pouco de álcool com uma, ou duas carreiras de pó, mas é sem volta... e tudo o que lamento, é que não exitem mais brasileiros como Elis...

“As vezes só porque fico nervosa, eu rebento, ou necessariamente só porque estou viva.”

Elis Regina em Rebento de Gilberto Gil.
Ricardo mais que Veríssimo