segunda-feira, janeiro 10, 2011

Fade In_Town_O Inicio

Prometeu que não iria chorar, mas chorou, arrumou as malas com poucas roupas e objetos. Na mochila colocou seu notebook, da estante, retirou uma máscara de teatro grego, um porta-retrato, alguns livros, entre eles “A Hora da Estrela” de Clarice Linspector. Na Em fundo falso de uma gaveta, pegou uma pequena chave, abriu uma caixa de madeira, retirou uma quantia em dinheiro das econômicas guardadas e partiu.
Caminhou em direção ao ponto carregando uma pequena mala na mão e uma mochila nas costas, no ônibus, sentou-se e durante o trajeto chorou. Chegou a rodoviária, no guichê comprou uma passagem com destino ainda incerto. Com a cabeça encostada na janela, observou as mudanças de paisagens... Casas, ruas, estradas, morros, fábricas, pastagens... a cada quilometro percorrido, tinha certeza de que não regressaria mais...acalmou-se e dormiu longamente.

Um hora depois...

Assustado acordou, a imagem ainda turva apresentou prédios, caminhões, letreiros, carros, e um largo rio que cortava a rodovia. Esfregou os olhos e acertou a postura no banco. O ônibus parou... Limpou o rosto, fragilizado, levantou-se com os demais passageiros, pegou sua mala e mochila e desceu... Nenhum pensamento lhe ocorreu, desceu o primeiro, segundo e terceiro degrau... Bem vindo a São Paulo, foi a primeira coisa que leu.

Passos lentos... Os olhos percorriam cada extensão, lojas, pessoas, sonoridades, aromas... Tudo estava ali, organizado dentro de um caos. Subiu as escadas rolantes e deparou-se com mais lojas, restaurantes, pessoas de diversas origens, altas, baixas, negras, brancas, gordas, magras, crianças, adultos... Sentiu uma imensa necessidade de se integrar aquele lugar, não sabia como, mas havia encontrado uma sensação que o impulsionava a caminhar para frente, para o mundo que ali se mostrava novo.

A cada passo dado, sua imagem confundia-se com a imagem das demais pessoas, sua mala e mochila multiplicara-se, suas roupas fundiam-se... Então, num simples plano de câmera, desapareceu, sem destino, sem referências, era apenas mais um, ainda sem idade, sem nome, sem sexo, sem história, como uma folha em branco, onde se é possível escrever, mas no seu caso, era possível reescrever...

continua...

3 comentários:

.::.paulinha.::. disse...

Olá Ricardo. Obrigada pelo comentário... reforma é assim mesmo... ou vc corre atrás e faz td meio sem pensar no trabalho que dá, ou não faz rs
Acho que agora peguei o ritmo rs
bjo

Thais Lopes disse...

Belo começo...

As mudanças causam medo...
As mudanças trazem fome de mais...
As mudanças mudam (de forma bem redundante)

Feliz ano novo

Bjs e abços

lisa disse...

é na multidão que nos tornamos "1 em..." Sem nome, mas "1 em..."

Espaço incrivel, a literatura pousou por aqui...

beijos