Inicio este texto com uma frase de Clarice Linspector no título. Mais uma vez tive um inesperado encontro com a escritora, dessa vez no livro “Água Viva”, em que numa linha tênue que aspira um romance não romance, Clarice desvela-se em assuntos multifacetados e por meio de metáforas ela fala de um não “Eu”. Complexo? Talvez, sugiro que leia para tirar uma conclusão própria.
Contudo, as palavras e inquietações de Clarice me tocam de uma forma que não sei explicar, sinto apenas que me proporciona uma reflexão mais profunda, sobre o que sou, o que desejo, o que busco... Escrevo essas linhas para esvaziar-me de um “não sei o que” e nesses caminhos tortuosos que são nossos pensamentos, venho mais uma vez tentar resignificar esse espaço virtual chamado BLOG, que criei faz alguns anos, com objetivo de falar sobre meu “eu”, minhas experiências, frustrações, conquistas e feitos que posso um dia orgulhar-me ou não...
Como Clarice, eu infelizmente me fecho numa casca, não possuo essa habilidade desvelada de falar de mim de forma nua e crua, não possuo o dom de exposição como muitas pessoas possuem, e parafraseando seus pensamentos...
“Muita coisa não posso te contar. Não sou autobiográfica. Quero ser “bio”.
Concluo que preciso me dividir em dois para ter paz de espírito e traçar linhas com as quais posso falar de mim ou de outra pessoa que não seja eu.
Mas como?
Criarei um personagem e por meio dele buscarei “liberdade”, o não compromisso de não me retratar sempre nos meus textos, como se o fato de ter um Blog fizesse disso uma obrigação. Não que seja, mas sinto como tal. Quero deixar meus pensamentos fluírem e dialogar com o mundo de uma forma mais livre, sem me preocupar do que estou falando ou se mantenho um lead jornalístico correto, quero liberdade dos meus vícios literários.
Quando ele irá chegar?
Não sei, dentro de alguns dias, semanas, ou mesmo até em algumas horas. Sei que tenho urgência, pois meus pensamentos não param, despeço-me aqui e como bom anfitrião, deixo a chave embaixo do tapete na porta de entrada para o novo personagem que aqui residira, vale lembrar que por tempo indeterminado... Para sair, deixo palavras de Clarice...
...forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre
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