Fade in_Town
[episódio7] - Letargia
Ao acordar fui agredido pela claridade da luz que entrava pela janela aberta, as cortinas brancas quase tocavam meu rosto com o vento que as empurravam para cima da cama, ainda sonolento, virei-me em busca da escuridão e percebi alguém deitado ao meu lado. Embriagado pelo sono fechei os olhos sem conseguir ver o seu rosto... Por um momento sentia-me feliz... E de olhos fechados eu disse, “Eu te amo. Que bom que você voltou” Silêncio... Adormeci por segundos... Derrepente, numa escuridão longe suas palavras ressoaram, “Eu não voltei... Você procura alcançar alguma coisa que eu não sei o que é, e leva o tempo de uma vida...” Abri os olhos e suas costas permaneciam ali, inerte, deitada... Eduardo? Olha isso! Acorda!... A imagem dissipou-se e me vi dentro do avião... Sentada ao lado estava Dani, que entusiasmada constatava... “Olha, estamos no Chile! Olha a Cordilheira repleta de neve! É linda! ”
Da janela do avião eu voltei à realidade, admirava a magnitude fria da cordilheira, buscando entender esse sentimento de felicidade roubada que aquela frase causou... Foi apenas um sonho.
Desembarcamos em Santiago por volta de 22h. Após muitos portões de embarque e desembarque, conseguimos sair do aeroporto e pegar um taxi, que estava agendado por Ângelo, um ator chileno que conheci por indicação de um amigo no Brasil e que topou nos receber e nos hospedar durante os dez dias de viagem. Nosso contato havia sido restrito, feito por internet poucas semanas antes, motivo para um certo constrangimento, pois éramos dois estranhos vindo do Brasil e de certa forma, a cordialidade de Ângelo nos salvou, pois tanto eu como Dani estávamos com pouco dinheiro e sem direito a grandes extravagâncias.
Após um tour noturno por Santiago, chegamos ao apartamento de Ângelo, que ficava acima do 15 andar, localizado no bairro Bela Vista. O apartamento era simples, com dois quartos, sala, cozinha e WC; Uma das coisas bacanas, era que a sala possuía uma grande janela de onde se podia ver a cordilheira e uma parte de Santiago. Constatei que estávamos bem situados, entre uma das regiões nobres da cidade, com estações de metrô, lojas, boutiques, além de várias opções gastronômicas. Naquela primeira noite, eu, Ângelo e Dani conversamos um pouco ao sabor de pizzas chilenas, ótimas por sinal, falamos do Brasil, do Chile e programamos algumas atividades... Mesmo entusiasmados pela viagem e pela noite agradável, chegava o momento em que eu e Dani teríamos que cavar nossas próprias oportunidades num lugar desconhecido, nos relacionando em outro idioma, e o que talvez fosse pior, apresentar nosso trabalho para um povo culturalmente diferente do nosso. Bem... se estávamos na chuva, já estávamos molhados, a proeza agora é nos divertir na medida do possível, antes da primeira gripe, é claro... Naquela noite fiz minhas preces, pedi para sobreviver a tudo aquilo, pedi para ter sabedoria e força para enfrentar o que estava por vir, sobretudo, pedi paz ao meu coração, pois eu ainda não havia descoberto o que levava o tempo de uma vida...mais sabia que perseguia algo...
Um comentário:
Sabe o que se torna encantador? poder desfrutar da leitura e em um ápice sentir como aquele que vive tal ato descrito por suas palavras. Chega a ser mágico, quando menos se espera já estamos entre ligados ao contexto como se invadisse meus pensamentos e tirasse de lá tal momento. Realmente meu caro AMIGO, agradeça pela vida, pelas oportunidades cedidas, aos fatos e acontecimentos, estamos todos na mesma classe, em busca do aprendizado diário, e o interessante é esta visão que tem que assim como eu, aproveito das dores e sorrisos, e faço de minha vida um livro, do qual eu me enlouqueceria para ler. FELICIDADES EM TUA CAMINHADA, E PELOS TEUS PASSOS, TE ADORO DE VERDADE. Abraços Patrick Nunes.
Postar um comentário