[episódio2]
O relógio marcava 15h quando decidi almoçar, havia caminhado cerca de duas horas a procura de algum lugar para ficar e morar. Não queria recorrer aos poucos amigos que conhecia em São Paulo, apenas em último caso. Por um momento desejei não ter que tomar decisões precipitadas, mas o dia passava rápido demais e ficar parado pensando no que poderia ter sido definitivamente não me ajudaria muito, era preciso colocar-me em movimento.
O relógio marcava 15h quando decidi almoçar, havia caminhado cerca de duas horas a procura de algum lugar para ficar e morar. Não queria recorrer aos poucos amigos que conhecia em São Paulo, apenas em último caso. Por um momento desejei não ter que tomar decisões precipitadas, mas o dia passava rápido demais e ficar parado pensando no que poderia ter sido definitivamente não me ajudaria muito, era preciso colocar-me em movimento.
Entrei num restaurante, enquanto comia, decidi que andaria por mais 3 horas antes de se hospedar em algum lugar ou ligar para algum amigo. Tentei selecionar regiões em que os aluguéis eram mais acessíveis, calculei que minhas economias conseguiriam pagar durante um mês, um apartamento simples, com um quarto conjugado e sem luxos como, vaga na garagem e elevador; Porém, se optasse por uma republica a situação seria diferente, conseguiria permanecer por mais tempo até se estabilizar financeiramente, entretanto, era preciso colocar-se a prova de muitas coisas, como por exemplo, a falta de privacidade... Quis desespe-me, mas não podia, não havia ninguém para ampará-lo.
Olhar estático, os dentes do garfo patinando no fundo prato sujo e raso, quanto fui interrompido do fluxo de imagens que corriam por sua mente e janelas dos olhos... Um leve toque no braço o trouxe de volta.
- Moço, já vamos fechar o restaurante, o senhor deseja mais alguma coisa?
- Não, obrigado, já vou acertar minha conta no caixa.
Dirigiu-me ao caixa e pediu informações sobre republicas para estudantes, pensões, pousadas e hotéis, consegui indicação, de uma pousada, um sobrado no Vale do Anhangabau, que ficava em cima de um sebo de livros e discos de vinis. Decidi caminhar até lá.
No sebo fui informado que todos os quartos estavam ocupados, desanimado caminhei entre as estantes apertadas e empoeiradas de livros, até encontrar um exemplar de Clarice Linspector, folheia, passeia os olhos por entre o texto fluído de Ägua Viva”e lê: ...forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre... Fui interrompido.
- Eduardo?
Olhei e viu uma moça que sorria para sua direção, um instante a mais e reconheci minha amiga Vivi, no passado, haviamos desenvolvidos alguns projetos, mas com o passar dos anos, Vivi havia se mudado para São Paulo e desde então falamos poucas vezes por ano.
- Vivi!? Que surpresa!!
- Eu que digo isso, o que anda fazendo por aqui, estudando?
- Não, to morando em São Paulo.
- Nossa?! Onde? Nem me avisou...
- Ai que está o problema... Eu acabei de chegar a cidade, não tenho lugar fixo ainda, to batendo perna em busca de algum lugar...
- Bom, já é tarde... essa hora será meio complicado, vêem, vamos tomar um café em casa, pode dormir lá por uns dias enquanto procura um lugar com mais calma...
Olhou para dentro do livro de Clarice que carregava nas mãos, fechei suas páginas e o devolvi na prateleira... Enfim, se a lei do retorno existe, parece que o universo começou a colocá-la em pratica; Após uma noite de muitas conversas, o silêncio se estabeleceu e olhando pela janela contemplei a cidade, iluminada pelo transito e escritórios noturnos, repeti para mim a frase de Clarice: “Forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre”.
Decidi dormir, o dia seguinte prometia mais descobertas...
Um comentário:
Eu voltei e quero você de volta também!
Bjo
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